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domingo, 11 de março de 2012

WTCC - Round 1 - Monza


Com algumas novidades, a temporada de 2012 do WTCC, o Campeonato Mundial de Carros de Turismo teve início hoje, no Circuito de Monza, já que a prova em Curitiba, etapa que normalmente abria o certame desde 2007, foi realocada para julho.

As principais mudanças no campo esportivo são 1) a limitação do uso de apenas um motor por toda a temporada para cada carro, sendo que a troca da unidade fará com que o piloto largue na última posição; 2) o aumento da distância a ser percorrida em cada corrida de 50 quilômetros para até 60 quilômetros; 3) a distribuição de pontos extras para os cinco primeiros colocados no treino de qualificação, sendo cinco tentos para o pole position, quatro para o segundo, e assim por diante; e 4) agora serão doze os carros que seguirão da Q1 para a Q2, e a formação do grid de largada para a segunda bateria com a inversão dos dez primeiros qualificados na Q2, ao contrário do ano passado, cuja definição seguia a classificação da Q1.

Depois de passar por uma crise no fim de 2011, muito em razão do domínio da Chevrolet, foi um grande alento o anúncio de retorno à categoria de várias montadoras, como foi o caso da Ford com o modelo Focus, da Honda com Civic hatch europeu, e a Lada com o Granta, sendo que apenas a primeira fará a temporada completa, já que a marca japonesa participará apenas da "temporada asiática" no fim do ano e a russa correrá apenas nos eventos da Hungria e Portugal.

A equipe campeã continua com seu trio de pilotos, Yvan Muller (campeão dos dois anos anteriores com o Cruze), Robert Huff e Alain Menu. A Seat também mantem seus pilotos considerados "de fábrica", Gabriele Tarquini, pela Lukoil, e Tiago Monteiro, pela Tuenti. Já a Ford, com o time Aon, convocou Tom Chilton, o seu piloto que já corria com o Focus no BTCC, o Campeonato Britânico de Carros de Turismo, e ainda trouxe do certame britânico James Nash, que há dois anos estava ao volante de um Vauxhall Vectra. A BMW, por sua vez, oficialmente fora do campeonato, apoia Tom Coronel e a equipe ROAL como clientes.

Nas equipes independentes, várias modificações, com as estreias do britânico Alex MacDowall (oriundo do BTCC) e do jovem italiano Pasquale di Sabatino pela Bamboo Engineering, do italiano Alberto Cerqui pela ROAL, do espanhol Isaac Tutumlu pela Proteam, do húngaro Gábor Wéber pela Zengö e do belga Andrea Barlesi pela Sunred.

Para a corrida em Monza, a Chevrolet convidou o veterano Rickard Rydell, que já participou do WTCC entre 2005 e 2009, vencendo em cinco oportunidades, além de ter sido campeão escandinavo da categoria de carros de turismo, e que estava parado há dois anos, tempo que exerceu a função de comentarista de TV.

Apesar de da força da Chevrolet, que teve seu peso mínimo inicial aumentado de 1.150 para 1.180 quilogramas, foi a Seat que saiu na frente na primeira etapa, já que Gabriele Tarquini fez o melhor tempo da classificação por apenas 59 milésimos, marcando o tempo de 1min57s915, com média de 175,693 km/h, baixando em mais de um segundo a marca do ano passado e impedindo que a marca da gravatinha fizesse a 14ª pole position consecutiva, e de quebra ficou com os cinco pontos de bonificação. O esquadrão azul e branca veio logo atrás, com Muller em segundo, Huff em terceiro, Menu em quarto e Rydell em quinto.

Largando na frente, Tarquini manteve a ponta e tentou segurar os Cruze o quanto pode, chegando a perder para Muller a dianteira por breves instantes na freada para a Variante Rettifilo no início da segunda volta, mas o francês freou além do limite e "espalhou", permitindo que o italiano voltasse ao primeiro lugar.

Na volta seguinte, no entanto, o veterano campeão de 2009 cedeu à grande pressão que sofria e escapou da pista na saída da segunda perna da Lesmo, dando "de bandeja" a liderança para Muller, que rumou tranquilo para mais uma vitória, sem praticamente ser mais incomodado.

Mais atrás, a corrida estava bastante animada, com muitos incidentes, sendo o primeiro deles o toque na entrada a primeira perna de Lesmo ainda na segunda volta entre Huff e Menu, colegas de time na Chevrolet, com o suíço levando a pior, pois saiu da pista e perdeu várias posições, terminando a prova apenas na sétima colocação.

Já Huff, que conseguiu evitar uma rodada, perdeu posições para Rydell e Coronel, mas depois de se livrar do holandês na segunda passagem, deu início a uma grande batalha pelo terceiro posto com o sueco, com várias trocas de posições até que o britânico foi capaz de ultrapassar o sueco na sétima volta, abrir diferença suficiente para se livrar da perseguição e partir para a briga pelo segundo lugar, conquistada na nona passagem com uma  ultrapassagem clássica sobre Tarquini na freada para a Parabolica.

Outro incidente aconteceu logo na largada, quando Michelisz quis forçar uma ultrapassagem por dentro de Chilton na Variate Rettifilo e ambos se tocaram, jogando o Ford Focus para cima de D'Aste, que acabou rodando na frente de Englster e Monteiro, levando ao abandono do português.

Na segunda passagem, Bennani e Barlesi se estranharam na Parabolica e foram parar fora da pista. O marroquino não do que aconteceu e saiu do seu BMW reclamando da conduta do estreante italiano.

Na quarta volta, o motor do carro de Isaac Tutumlu explodiu antes da primeira perna de Lesmo, e o óleo que vazou lavou a pista no local, levando três carros a excursionarem na brita, Menu (pela segunda vez), Charles Ng e Pasquale di Sabatino, gerando a primeira e única intervenção do safety car por duas voltas para a retirada do BMW do estreante espanhol.

Aleksei Dudukalo fazia a sua melhor apresentação da carreira, travando grande disputa com Pepe Oriola e, posteriormente, com Tom Coronel, chegando a ficar na quinta colocação, mas o Seat do russo não aguentou, perdeu potência até expirar a duas voltas do fim.

Entre os independentes, a vitória ficou com o jovem Pepe Oriola, que surpreendeu durante o segundo treino livre ao marcar o melhor tempo. O novato Alex MacDowall foi o segundo colocado, com Norbert Michelisz na terceira posição.

Marcaram pontos na primeira bateria:

Yvan Muller (FRA) Chevrolet Cruze 1.6T
Robert Huff (GBR) Chevrolet Cruze 1.6T
Gabriele Tarquini (ITA) Seat León WTCC 1.6T
Rickard Rydell (SUE) Chevrolet Cruze 1.6T
Tom Coronel (HOL) BMW 320 TC
Pepe Oriola (ESP) Seat León WTCC 1.6T (i)
Alain Menu (SUI) Chevrolet Cruze 1.6T
Alex MacDowall (GBR) Chevrolet Cruze 1.6T (i)
Norbert Michelisz (HUN) BMW 320 TC (i)
10º Alberto Cerqui (ITA) BMW 320 TC (i)

Já a segunda bateria foi espetacular, principalmente porque os Chevrolets tiveram de fazer uma prova de recuperação por largarem do meio do grid em razão da inversão de posição entre os dez primeiros.

Norbert Michelisz, o poleman, fez uma grande largada, ajudado pelo fato de não ter ninguém ao seu lado, já que Dudukalo, com uma quebra de motor na primeira prova, não pôde alinhar.

O húngaro foi acossado durante toda a prova, primeiro por Tom Coronel, e depois por Yvan Muller, mas se mantinha bravamente à frente, liderando um trenzinho composto pelo holandês, D'Aste, MacDowall, Menu, pelo francês e por Huff,isso até que, na sétima volta (a duas do final), acertou um pássaro que aproveitava o calor do asfalto, o que levou a um furo no radiador, e não teve mais condições de manter sua toada.

A proximidade dos carros levou os pilotos de fábrica da Chevrolet a travar uma dura batalha que levou ao lance mais polêmico do fim de semana no segundo giro, quando Muller tentava passar Menu por dentro na reta principal, com Huff logo atrás tentando "pegar carona".


Yvan Muller teve muita sorte e mostrou muita habilidade, pois se recuperou de uma rodada em alta velocidade para retornar à frente de Menu na saída da chicane e foi capaz, posteriormente, de desafiar Coronel pelo segundo posto e Michelisz pela liderança.

Aliás, foi um milagre todos os Cruze de fábrica terem sobrevivido àquilo que poderia levar a um triplo abandono, já que todos acabaram rodando e retornando sem perderem posições, mas reacendeu a rivalidade interna no time, revivendo a situação entre Muller e Huff a partir da prova no Porto.

Após tomar a ponta, repetiu-se o que aconteceu na primeira bateria, já que Muller não teve oposição e seguiu tranquilo para a segunda vitória no domingo, liderando mais uma trifeta da Chevrolet, com Menu em segundo e Huff em terceiro lugar.

Toda essa confusão tornou todos os outros fatos meros coadjuvantes, mas é importante destacar as provas de Tom Coronel (que tentou, a todo custo, ficar à frente de pelo menos um dos Cruze), bem como de Stefano D'Aste, Alex MacDowall (que pontuou em ambas as baterias) e do jovem estreante Alberto Cerqui (o qual também marcou pontos em ambas as corridas da rodada dupla de Monza).

Pelo Troféu Yokohama, a vitória ficou com Stefano D'Aste, com Franz Engstler em segundo e Alex McDowall na terceira posição.

Marcaram pontos na segunda bateria:

Yvan Muller (FRA) Chevrolet Cruze 1.6T
Alain Menu (SUI) Chevrolet Cruze 1.6T
Robert Huff (GBR) Chevrolet Cruze 1.6T
Tom Coronel (HOL) BMW 320 TC
Stefano D'Aste (ITA) BMW 320 TC (i)
Franz Engstler (ALE) BMW 320 TC (i)
Alex MacDowall (GBR) Chevrolet Cruze 1.6T (i)
Norbert Michelisz (HUN) BMW 320 TC (i)
Alberto Cerqui (ITA) BMW 320 TC (i)
10º Rickard Rydell (SUE) Chevrolet Cruze 1.6T

Yvan Muller começa o ano como terminou 2011, ou seja, na frente, e já de início abre uma diferença respeitável para o segundo lugar, o seu colega de Chevrolet Robert Huff, com Alain Menu, tal qual ano passado, já se distanciando da briga à frente, ainda que exista coisa para acontecer.

Como curiosidade, os cinco primeiro colocados da tabela após a prova de Monza segue rigorosamente a classificação do campeonato de pilotos da temporada passada.

 Yvan Muller54
 Robert Huff 36
 Alain Menu 26
 Tom Coronel 22
 Gabriele Tarquini 20
 Rickard Rydell 14
 Stefano D'Aste 10
 Alex MacDowall 10
 Pepe Oriola 8
10º  Franz Engstler 8
11º  Norbert Michelisz 6
12º  Alberto Cerqui 3

Entre aqueles que correm por equipes consideradas independentes, há um empate triplo na primeira colocação entre Stefano D'Aste, Pepe Oriola e Alex MacDowall, com vantagem para o italiano no critério de desempate.

 Stefano D'Aste 14
 Pepe Oriola 14
 Alex MacDowall 14
 Franz Engstler 12
 Norbert Michelisz 11
 Alberto Cerqui 9
 Gábor Wéber 3
 Pasquale di Sabatino2
 Charles Ng 1
10º  Mehdi Bennani 1

A Chevrolet não levou em consideração o peso extra que carrega, uma tentativa dos organizadores de evitar o domínio de 2011, inútil, ao menos em Monza, e já dispara na ponta no campeonato de construtores, possuindo o quase o dobro de pontos em relação ao vice-líder, e praticamente a soma entre os tentos das equipes clientes da BMW e Seat.

 Chevrolet 93
 BMW Customer 49
 Seat Customer 45

A ROAL inicia 2012 na frente na disputa pelo Troféu Yokohama, com a campeã de 2011, a Engstler Motorsport, apenas na sexta colocação, e a vencedoras dos demais anos anterior, a Proteam, sem pontuar.

 ROAL Motorsport 24
 Bamboo Engineering 12
 Wiechers Sport 10
 Lukoil Racing Team 10
 Zengö Motorsport 8
 Liqui Moly Team Engstler 7
 Tuenti Racing Team 7

A próxima etapa do WTCC será no dia 1º de abril, no circuito de Ricardo Torno, em Valência, Espanha, local onde, no ano passado, Yvan Muller conseguiu uma vitória dupla e abriu caminho para o seu tricampeonato.

segunda-feira, 5 de março de 2012

HRT F112




A equipe com o menor orçamento da Fórmula 1 foi a última a apresentar as suas armas para a temporada de 2012, e tal qual a Marussia embarca para Melbourne sem um teste sequer com o F112, a não ser o shakedown feito hoje em Barcelona, e algumas voltas que o carro deverá fazer promocionalmente.

Entretanto, o time espanhol parece estar acostumado ir para a primeira etapa do campeonato com o carro "cru", pois em 2010 a equipe fez o shakedown do F110 em Sakhir, pista barenita, em em 2011 o F111 também foi o último modelo a ser revelado ao público, andando pela primeira vez em Albert Park.

Pelo terceiro ano consecutivo a pintura da equipe foi reformulada, passando do cinza escuro em 2010 para o branco e vermelho no ano passado, e agora apresenta um lay out muito bonito, com o branco predominando sobre faixas em vinho e dourado, lembrando muito a Force India em seu ano de estreia, em 2008.

O desenho do carro também foi modificado, com aparentes alterações na parte traseira, como nos sidepods, capô do motor (que está mais baixo e esguio) e asa traseira. Já a parte dianteira optou-se pela continuidade, com o bico muito semelhante aos antecessores, com exceção do leve degrau (em que pese o fato do HRT F111 ter o nariz mais baixo entre todos os modelos de 2011), que vem sendo a tendência das equipes, com exceção da McLaren e Virgin, e que conta com uma pequena entrada de ar na ponta, havendo a abolição de um pequeno difusor na asa dianteira.

A parceria técnica com a Williams continua a todo o vapor, já que o time de Grove, apesar de ter mudado os seus motores de Cosworth para Renault em 2012, fornece para a Hispania a caixa de câmbio, bem como seu sistema de KERS, que será utilizado pela primera vez pela escuderia espanhola.

Em meados de 2011, a Hispania foi vendida por José Ramón Carabante (que havia comprado o time de Adrián Campos no início de 2010, antes mesmo da estreia dela na Fórmula 1) para o grupo Thesan Capital, injetando preciosos recursos para a sobrevivência da equipe que, no mês passado, anunciou a mudança da sua sede para o compexo denominado La Caja Mágica, em Madri.

Ainda em 2011, o grupo proprietário da HRT também promoveu mudanças na direção da equipe, com a contratação do espanhol Luis Pérez Sala (piloto da Minardi em 1988 e 1989, e que chegou a correr ao lado de Adrián Campos na escuderia de Faenza) para o lugar do "não tão bem quisto" Colin Kolles.

Na linha de pilotos, o veterano Pedro de la Rosa, que vinha atuando como piloto de testes da McLaren, e que chegou a correr algumas provas pela Sauber em 2010 e 2011, assinou com o time um contrato de dois anos, e terá ao seu lado o indiano Narain Karthikeyan, o último piloto a ser confirmado para a temporada de 2012, retornando ao posto de titular da HRT depois de perder o cockpit na segunda metade do ano passado em razão do dinheiro da Red Bull, que desejava dar ao jovem Daniel Ricciardo experiência em corrida.

As diversas mudanças, no entanto, não farão com que o time passe a ser competitivo nesta temporada. Pontuar certamente será apenas por milagre, já a realidade da HRT é mesmo brigar com a Virgin para escapar da pecha de "pior equipe da Fórmula 1", algo que a equipe espanhola conseguiu evitar nos dois últimos campeonatos.

Ficha técnica:


Pilotos
22   Pedro de la Rosa - 23    Narain Karthikeyan
Chassi
F112
Caixa de câmbio
Williams F1 de sete marchas, mais a marcha-a-ré, com comando semi automático sequencial eletro-hidráulico
Freios
Discos ventilados e pinças em fibra de carbono AP
Suspensão
Independente do tipo push-rod de ativação da torção das molas dianteiras e do tipo pull-rod nas traseiras, com amortecedores Penske
Peso
640 quilogramas, com piloto água e lubrificantes
Rodas
BBS de 13 polegadas
Motor
Cosworth CA2012, V8 em 90º, 32 válvulas, 2,4 litros, 95 quilogramas, limitado a 18.000 RPM, com injeção e ignição eletrônicas
Combustível e lubrificantes
British Petroleum - BP

Marussia MR01




Após diversos atrasos, resultados da falha do chassi em passar pelo crash-test obrigatório da FIA, a Marussia, ex-Virgin, lançou hoje, um dia depois do término da pré-temporada de testes, o carro com que correrá em 2012, o MR01, recomeçando a contagem do modelo após a compra do time de Richard Branson.

Após retumbantes fracassos nos anos anteriores, quando ficou na última posição entre os construtores, para 2012 a equipe técnica da escuderia resolveu deixar de lado o projeto integral do MR01 via CFD (computational fluid dynamics, ou dinâmica de fluídos computacional), rompendo, de vez, com a Wirth Research, de Nick Wirth.

Desde o ano passado, a Marussia possui parceria técnica com a McLaren, a qual teve significante envolvimento no desenvolvimento do novo carro do time russo, o que se nota pela ausência do bico em degrau, tendência já adotada pela equipe de Woking em seu modelo MP4-27.

É evidente a total reformulação do novo modelo comparando-se com o de 2011, já que é possível ver modificações no bico, sidepods, capô do motor e asa traseira, o que é reflexo direto da atuação de Pat Symonds, o qual assina o projeto "na surdina", eis que ainda cumpre a suspensão imposta pela FIA em razão do escândalo do "Cingapuragate" em 2008, quando Piquet bateu propositadamente no muro para favorecer seu companheiro de equipe na Renault, Fernando Alonso.

O carro, que já foi para pista nesta manhã de segunda-feira para o shakedown em Silverstone, novamente é equipado com o motor Cosworth, reconhecidamente o mais fraco da categoria, e será o único a não ter o KERS, algo que poderá prejudicar o desempenho do carro na briga para sair do fundo do grid.

Para 2012, a Marussia preferiu pela manutenção de Timo Glock, na equipe desde seu nascimento em 2010, mas novamente trocou seu segundo piloto, trazendo o francês Charles Pic, que chega para o lugar de Jérôme D'Ambrosio depois de duas temporadas razoáveis na GP2 graças à ajuda de seus patrocinadores pessoais.

Certamente o objetivo principal da Marussia é, finalmente, marcar seus primeiros pontos na Fórmula 1 e sair da incômoda lanterna que ocupou nos dois anos anteriores, quando perdeu para a HRT, equipe com o menor orçamento entre todas na categoria, o que, se acontecer, será comemorado pelo time como se tivesse ganho o título de pilotos e construtores.

Trata-se realmente de um time que apenas faz figuração, algo que a própria categoria necessita e sempre necessitou, seja para formar pilotos, seja para permitir um mínimo de carros no grid, e que vai para Melbourne com um carro praticamente zerado, sem um teste descente sequer que pudesse avaliar o potencial do modelo.

Ficha técnica:


Pilotos
24  Timo Glock - 25   Charles Pic
Chassi
MR01
Caixa de câmbio
Unidade de sete marchas, mais a marcha-a-ré, com comando semi automático sequencial por ativação eletro-hidráulica
Freios
Discos Hitco Carbon-Carbon e pinças AP Racing
Suspensão
Independente do tipo push-rod de ativação da torção das molas dianteiras e nas traseiras, com amortecedores Penske
Peso
640 quilogramas, com piloto água e lubrificantes
Rodas
BBS de 13 polegadas
Motor
Cosworth CA2012, V8 em 90º, 32 válvulas, 2,4 litros, 95 quilogramas, limitado a 18.000 RPM, com injeção e ignição eletrônicas
Combustível e lubrificantes
British Petroleum - BP

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Mercedes AMG F1 W03





A Mercedes-Benz faz desta a sua terceira temporada na Fórmula 1 desde que adquiriu o time de Ross Brawn, campeão em 2009, descendendo diretamente da equipe Honda, a qual um dia já foi a BAR, criada por Jacques Villeneuve e seu empresário Craig Pollock, que compraram o espólio da tradicional Tyrrell.

Para 2012, no entanto, o escuderia alemã promoveu diversas mudanças, sendo a primeira delas o acréscimo ao seu nome da sigla AMG, a divisão da montadora de Stuttgart para carros de alto desempenho, cujas letras vêm do nome dos engenheiros fundadores da empresa, Hans Werner Aufrecht e Enhard Melcher, além de Großaspach (ou Grossaspach), cidade natal de Aufrecht, reforçando assim o desapego a tudo aquilo que lembre as origens da equipe comandada por Ross Brawn.

A segunda alteração que se nota vem da reformulação total do corpo técnico da equipe, com a contratação de Bob Bell, ex-Renault, no início do ano passado, complementada pela vinda de Aldo Costa, demitido da Ferrari em maio de 2011, e de Geoff Willis, que teve passagens pela Williams, Leyton House, McLaren e Red Bull, e também pela atual Mercedes, quando ainda era BAR e Honda.

Muitos dizem que essas contratações demonstram nada menos do que o desespero de Norbert Haug pelos dois anos sem nenhuma vitória na Fórmula 1, principalmente porque se tratam de nomes que foram desprezados por outras grandes equipes.

As modificações, no entanto, param por aí, já que a escuderia dos flechas de prata mantem sua dupla de pilotos, Michael Schumacher e Nico Rosberg, desde o retorno da marca com estrutura própria em 2010.

O carro, batizado de W03, aparenta ser mera evolução lógica do seu antecessor, o MGP W02, com atualizações em razão das modificações do regulamento, como o rebaixamento do nariz e a obrigatoriedade de que o escapamento esteja voltado para cima.

Em razão disso os sidepods foram totalmente redesenhados e estão mais esguios, com a introdução dos canos de descarga na porção final da peça. Além disso, é possível ver uma alteração na entrada de ar para o radiador, mais "pontuda" e arredondada, lembrando muito a opção da Ferrari.

O nariz também foi alterado, com o abandono daquele formato de "bico de pato", já que agora está bem mais estreito e apresenta, tal qual os demais times, à exceção da McLaren, o famoso e horroroso degrau, com um desnível bastante grande em relação aos demais modelos de 2012.

A apresentação oficial do novo modelo da Mercedes se deu hoje, em Barcelona, antes do início da segunda rodada de testes coletivos, mas o carro já havia sido flagrado durante o shakedown feito no domingo, em Silverstone,  onde andou por cerca de 300 quilômetros, inclusive com a realização de um vídeo teaser promocional feito pelo próprio time.

Há duas semanas, durante os primeiros testes coletivos que ocorreram no circuito de Jerez de la Frontera, o time de Ross Brawn e Norbert Haug utilizaram o carro do ano passado, devido ao atraso no lançamento do W03, restando saber se tal fato trará prejuízos ao time, que ainda busca "desencantar" na categoria desde que foi campeão em 2009 como equipe independente.

O fato é que Michael Schumacher e Nico Rosberg terão muito trabalho para compensar a demora na fabricação do novo carro e então colocá-lo no mesmo nível de desenvolvimento dos demais times favoritos, que já andaram com seus novos modelos, acumulando quilometragem e coletando informações, itens vitais na briga pelos décimos de segundo que definem um carro vencedor de outro mero coadjuvante.

Ficha técnica:


Pilotos
 Michael Schumacher - 8  Nico Rosberg
Chassi
W03
Caixa de câmbio
Unidade em alumínio de sete marchas, mais a marcha-a-ré, com comando semi automático sequencial por ativação hidráulica
Freios
Brembo, com discos ventilados de fibra de carbono
Suspensão
Independente do tipo push-rod de ativação da torção das molas dianteiras e do tipo pull-rod nas traseiras, com amortecedores Penske
Peso
640 quilogramas, com piloto água e lubrificantes
Rodas
BBS de 13 polegadas
Motor
Mercedes-Benz FO108Z, V8 em 90º, 32 válvulas, 2,4 litros, 95 quilogramas, limitado a 18.000 RPM, com injeção e ignição eletrônicas
Combustível e lubrificantes
Petronas

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Rally da Suécia


Neste fim de semana aconteceu a segunda etapa do WRC, o Campeonato Mundial de Rally da FIA, tendo como palco a Suécia, onde o frio e a neve colocou à prova a habilidade dos pilotos em um total de 24 estágios cronometrados, ou seja, um na quinta-feira, nove na sexta-feira (sendo seis deles totalmente em solo norueguês, e apenas um, a SS2, parte na Suécia e parte na Noruega, com direito a travessia de fronteiras), oito no sábado e os seis restantes no domingo, totalizando 349,16 quilômetros de competição, ou 1.842,60 quilômetros, contando os trechos de ligação.

Baseado na cidade Karlstad, a cerca de 310 quilômetros à oeste de Estocolmo, e aproximadamente a 130 quilômetros da fronteira com a Noruega, a etapa transcorreu com temperaturas que chegaram a 25 graus negativos, frio que não afastou os espectadores, que se amontoaram principalmente para ver os carros saltando pelo trecho denominado de "Colin's Crest", em homenagem ao espetacular escocês Colin McRae, campeão da categoria em 1995, e que faleceu em um acidente de helicóptero em 2007.

Para este rally, foram introduzidas novas regras esportivas, primeiro com a criação de uma espécie de "estágio de qualificação" após o shakedown, sendo que o mais rápido poderá escolher a posição em que largará no dia seguinte, seguindo a ordem de colocações nesse estágio até que o último não tenha mais opções.

Além disso, para os demais dias, a ordem de largada se dará pela inversão da classificação no dia anterior, sendo que o piloto que estiver liderando a competição será o último a largar durante todo o dia seguinte, evitando, assim, as bizarras estratégias vistas nos últimos anos, em que os pilotos reduziam a velocidade no último estágio do dia para não ser o primeiro a largar na manhã seguinte, sem que o "trilho" esteja formado, levando a uma menor aderência dos pneus.

Com a expectativa de manter o domínio no evento sueco, que vem desde 2006, o time oficial da Ford sabia que o principal rival seria seu ex-piloto Mikko Hirvonen, agora na Citroën, vencedor das duas últimas edições, e por isso a equipe do oval azul apostou todas as fichas em Jari-Matti Latvala, que queria se redimir do acidente que sofreu em Monte Carlo.

A briga entre esses dois finlandeses, Hirvonen e Latvala, foi a tônica do Rally da Suécia, sem dar qualquer chances aos demais pilotos, inclusive Sébastien Loeb, bastante discreto durante todo o fim de semana.

O início do rally foi bastante agitado, já que ainda no primeiro dia a liderança mudou de mão cinco vezes, iniciando com Daniel Sordo, vencedor da superspecial na quinta-feira à noite em um percurso de quase dois quilômetros montado na cidade Karlstad, com Mads Ostberg assumindo a ponta na SS2. Depois foi a vez de Latvala pontear na SS3 e SS4, passando a coroa para Hirvonen na SS5 até a SS7. A partir da SS8, Lavtala retomou a frente, e não a perdeu mais.

O piloto da Ford foi, de certa forma, ajudado por um problema de aderência no Citroën de Hirvonen ao final do sábado, mas mesmo assim ainda foi capaz de mostrar sua força no domingo, aumentando a diferença em mais dez segundos, chegando a cerca de 36 segundos até que, na SS22, o primeiro estágio da tarde do último dia, acabou acertando uma pedra à beira da pista, levando a um furo no pneu dianteiro direito e a redução da frente para apenas 8s4.

Latvala, no entanto, não se abateu, dobrando sua liderança nos dois últimos estágios da competição, repetindo a vitória que alcançou em 2009, quando se tornou o mais jovem piloto a vencer no WRC, cabendo a Hirvonen se contentar com o segundo lugar, o seu melhor resultado por sua nova equipe.

A outra briga que animou o rally foi aquela pelo último degrau do pódio, travada também entre dois compatriotas, os noruegueses Petter Solberg e Mads Ostberg.

O piloto oficial da Ford vinha conseguindo manter o terceiro lugar, com uma distância relativamente exígua, mas na SS2 perdeu o pódio para Ostberg após ter o pneu dianteiro direito furado quando acertou uma pedra, a mesma que quase tirou a vitória de seu colega de time.

Já o atual octacampeão, Sébastian Loeb, esteve irreconhecível na Suécia, cometendo dois erros, algo incomum no francês, um na SS7 ainda no primeiro dia, quando saiu da pista e ficou preso no gelo, perdendo cerca de dois minutos, e outro na SS12, quando rodou. Para piorar, o piloto da Citroën ainda teve o pneu dianteiro direito furado na SS18, o último estágio do sábado, já no crepúsculo, após atingir uma pedra pela floresta, relegando-o para um discreto sexto lugar.

Apesar de tudo, Loeb ainda conseguiu vencer o power stage, garantindo mais três pontos extras ao fazer o tempo de 2min58s7. Solberg ficou com o segundo posto e dois pontos de bonificação com o tempo de 3min03s6, deixando Latvala com o terceiro lugar e apenas um ponto, cronometrando 3min04s4.

Demais destaques para Evgeny Novikov que, com o carro da M-Sport, equipe satélite da Ford, cravou o segundo quinto lugar consecutivo na temporada, mostrando até agora acertada a escolha de Malcolm Wilson, diretor esportivo da marca do oval azul.

O sueco Patrik Sandell fez boa aparição em seu evento "caseiro", ficando com o oitavo posto, mesmo sendo esta a primeira vez que pilotou um carro da principal divisão do WRC, o Mini Cooper, salvando a marca após o abandono de Daniel Sordo na SS8 em razão de superaquecimento provocado pela quebra do radiador em uma barreira de gelo.

Apesar dos bons resultados do Mini Cooper até agora, a BMW, fabricante do modelo, anunciou a rescisão contratual que mantinha com a Prodrive, responsável pelo projeto do WRC, devido a diferenças quanto ao financiamento do programa de competição.

Por outro lado, o francês Sébastien Ogier, fora dos holofotes em 2012, fez um excepcional rally, terminando na 11ª posição, muito próximo de pontuar, mesmo ao volante de um carro da categoria S2000 da Skoda, em preparação para a estreia do modelo Polo da Volkswagen.

Pela primeira vez na Suécia tivemos dois brasileiros correndo no gelo, Paulo Nobre, que abandonou na penúltima especial pelo mesmo motivo que causou a desistência de Sordo, e Daniel Oliveira, que estreou na temporada de 2012 correndo com Subaru Impreza STI privado, terminando na 41ª posição.

Esses foram os que marcaram pontos no Rally da Suécia:

Jari-Matti Latvala (FIN) Ford Fiesta
Mikko Hirvonen (FIN) Citroën DS3
Mads Ostberg (NOR) Ford Fiesta (privado)
Petter Solberg (NOR) Ford Fiesta
Evgeny Novikov (RUS) Ford Fiesta
Sébastien Loeb (FRA) Citroën DS3
Henning Solberg (NOR) Ford Fiesta (privado)
Patrik Sandell (SUE) Mini Cooper
Martin Prokop (TCH) Ford Fiesta (privado)
10º Eyvind Brynildsen (NOR) Ford Fiesta (privado)

Mesmo após um decepcionante desempenho, Loeb mantem a ponta graças à vitória em Monte Carlo, bem como dos dois power stages até agora, deixando seu colega de equipe na Citroën, Mikko Hirvonen, com a segunda posição.

Tentando se recuperar após uma estreia acidentada, Latvala assume a quarta posição, mas ainda está atrás do seu companheiro de equipe na Ford, Petter Solberg.

 Sébastien Loeb 39
 Mikko Hirvonen
32
 Petter Solberg
29
Jari-Matti Latvala 26
Evgeny Novikov
21
 Daniel Sordo
18
 Mads Ostberg
15
 François Delecour 8
 Henning Solberg
6
10º  Pierre Campana
6
11º  Ott Tänak
4
12º  Patrik Sandell
4
13º  Martin Prokop
4
14º  Armindo Araújo
1
15º  Eyvind Brynildsen
1

A Citroën mantem a liderança no campeonato de construtores, o que é natural, mas a Ford reage e reduz a diferença para apenas dez pontos, deixando a Mini cair da segunda para a quarta posição.

Citroën WRT 65
Ford WRT 55
M-Sport WRT 28
Mini WRC Team 26
Qatar Citroën 8

O próximo compromisso do WRC é o Rally do México, daqui a cerca de um mês, entre os dias 08 a 11 de março, evento que no ano passado protagonizou o primeira disputa ferrenha entre os então pilotos da Citroën, Sébastien Loeb e Sébastien Ogier, vencida pelo atual campeão.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Red Bull RB8






A atual bicampeã mundial de pilotos e construtores vem para defender seu título na temporada de 2012 com o RB8, que nada mais é do que uma evolução do chassi RB5, utilizado em 2009, que teve pequenas modificações no decorrer desses três anos.

A grande novidade do novo carro é realmente o degrau no bico, bastante saliente, e que esconde uma pequena e misteriosa passagem de ar, a qual rendeu diversas especulações a respeito da função dela.

Adrian Newey relatou que se trata de um duto para o arrefecimento do cockpit, porém esse foi o mesmo argumento da McLaren quando lançou em 2010 o duto frontal, que foi banido no fim de 2010, já que o regulamento técnico passou a proibir qualquer sistema que utilize o movimento do piloto a fim de alterar as características aerodinâmicas do carro.

Alguns chegaram a dizer que se tratava de um sistema de refrigeração do KERS, que teve diversos problemas no ano passado, já outros cogitam que tenha utilidade aerodinâmica, como aquela utilizada pela Ferrari em 2008.


Além disso, os sidepods estão ligeiramente mais altos, e houve a retirada da aleta que existia no fim do cofre do motor, onde estava posicionado "o rabo" do touro vermelho.

A Red Bull era o time que melhor conseguiu utilizar os efeitos do difusor soprado, banido para 2012, mas por força do regulamento técnico para este ano, que determina que os gases dos escapamentos sejam lançados para cima, o RB8 teve os canos de descarga colocados para a seção posterior dos sidepods, tal qual os demais modelos da temporada. 

O carro foi oficialmente lançado ontem, diretamente do site da escuderia, que apresentou tão somente um curto vídeo com closes do carro, e algumas ilustrações digitais, que apenas davam uma ideia sobre o que estava por vir.

As fotografias que ilustram esse post foram tiradas hoje, durante o primeiro dia de treinos livres em Jerez de la Frontera, iniciando, formalmente, a temporada de inverno da Fórmula 1.

O time comandado por Christian Horner continua a ser o favorito, ainda mais porque possui ao seu lado a genialidade de Adrian Newey que, quando  "acerta a mão", é difícil para os demais engenheiros conseguirem acompanhar.

Resta agora saber se Sebastian Vettel terá outra temporada dominadora como teve no ano passado, quando se tornou o mais jovem bicampeão do mundo, e parecia andar rápido e vencer quando bem entendesse.

Outra dúvida é ver como o RB8 se sairá sem os difusores soprados, que muitos dizem terem sido a principal razão do sucesso da Red Bull em 2011.

Ficha técnica:


Pilotos
 Sebastian Vettel - 2  Mark Webber
Chassi
RB8
Caixa de câmbio
Red Bull Technology de sete marchas, mais a marcha-a-ré, com comando semi automático sequencial
Freios
Brembo, com discos ventilados de fibra de carbono
Suspensão
Em alumínio e fibra de carbono, independente do tipo push-rod de ativação da torção das molas dianteiras e do tipo pull-rod nas traseiras, com amortecedores Multimatic
Peso
640 quilogramas, com piloto água e lubrificantes
Rodas
OZ de 13 polegadas
Motor
Renault R27-2012, V8 em 90º, 32 válvulas, 2,4 litros, 95 quilogramas, limitado a 18.000 RPM, com injeção e ignição eletrônicas
Combustível e lubrificantes
Total